O ESPECISMO ESTRUTURAL COMO FÁBRICA DE BRUTALIDADES


O que leva seis adolescentes a se divertir brutalizando, violentando um ser indefeso é o prazer na afirmação de poder. São jovens que tiveram acesso à educação, mas os estudos escolares trouxeram apenas conhecimento técnico, pois não se dá valor à educação ética, pouco ou nada se fala sobre ética na sociedade atual. Infelizmente, estamos nos tornandos o que Thomas Hobbes previu como a guerra de todos contra todos e nem podemos dizer que, nesse contexto,  o homem é o lobo do homem, pois os lobos possuem uma ética intransponivel, sua sociedade vive em perfeita harmonia com a justiça entre seus membros. Antes fossemos como os lobos, com certeza, um fato sórdido como esse não teria acontecido.


Mas, não é surpresa que crimes horrendos contra os animais ocorram de forma cotidiana, só neste ano, foram mais de 5 mil casos de maus tratos contra animais só em Santa Catarina, que se tem noticia, fora os que ficam no submundo, desconhecidos do público. Vivemos em uma sociedade onde a violência contra os animais é legalizada por um sistema escravagista, que mutila, tortura e mata trilhões de animais por ano, sendo que esse sistema é base do consumo da maioria dos humanos. Inclusive de muitos que se indignaram com o assassinato do cão Orelha. 


Ao invés de ensinar ética, empatia, compaixão e igualdade às crianças, as ensinamos a serem especistas, a tratar com preconceito outras espécies de seres. Nos foi ensinado que alguns individuos são superiores a outros e, por isso, possuem direito de explorar, humilhar, atormentar e matar.


A crença em uma suposta superioridade de uns contra outros é o que levou seis adolescentes a se divertir massacrando um animal que era puro amor. Foi lhes ensinado que, por serem homens, brancos e ricos, são superiores e, portanto, seu agir não tem limites. Eles não devem respeito a ninguém, foi o que aprenderam. As lições tortas aplicadas por seus pais e pela sociedade que os cerca tiraram deles a alma. Hoje, não passam de diabos sem alma, aberrações em forma de garotos, sem a menor noção do que seja generosidade e amor. 


Esse é o tipo de gente que estamos formando há séculos, desde que começamos a acreditar nas teorias de superioridade e não de igualdade entre  seres. O sentimento de prazer em matar é o mesmo daqueles que fazem as guerras, os massacres, a violência doméstica e social.


É bonito ver a indignação, a luta das pessoas para que o crime não fique impune, mas é preciso lembrar que, grande poarte desses humanos, patrocinam brutalidades igualmente horrendas contra os animais explorados para nosso consumo. Por isso, enquanto a educação ética e antiespecista não for valorizada, assistiremos, consternados, a atos brutais como o que ocorreu na Praia Brava. 








Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

DIREITOS HUMANOS E DIREITOS ANIMAIS - UMA REFLEXÃO

NOTA DE REPUDIO À NOVA LISTA PET